O ministro das Comunicações, Juscelino Filho, anunciou sua decisão de pedir demissão nesta terça-feira (8), como revelou a RECORD com informações de fontes próximas. Mais cedo, o ministro foi alvo de uma denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que o acusou de envolvimento em um desvio de recursos públicos destinados a obras da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), quando ele ainda era deputado federal. A defesa de Juscelino Filho, por sua vez, emitiu uma nota refutando as acusações.
Na terça-feira, Juscelino, que é filiado ao União Brasil, teve um almoço com a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e o presidente do partido, Antônio Rueda. O União Brasil, no entanto, esclareceu que o encontro estava agendado desde a semana passada e não teria qualquer relação com as recentes acusações da PGR.
De acordo com a Polícia Federal, Juscelino teria intercedido para beneficiar uma construtora ligada a políticos, apontada como parte de um possível esquema de fraudes. Os recursos questionados foram alocados através de emendas parlamentares enquanto o ministro ainda exercia o cargo de deputado federal.
Mudanças na Esplanada dos Ministérios
Juscelino estava à frente do Ministério das Comunicações desde o início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Ele é o oitavo ministro a deixar o governo petista neste período. Em janeiro deste ano, Paulo Pimenta, que comandava a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), foi demitido após críticas de Lula à gestão da comunicação. Sidônio Palmeira, publicitário responsável pela campanha de Lula em 2022, assumiu o cargo.
Em fevereiro, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, também foi afastada e substituída por Alexandre Padilha, enquanto a pasta das Relações Institucionais passou para as mãos de Gleisi Hoffmann.
A série de mudanças na Esplanada começou em abril de 2023, quando Gonçalves Dias, então chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), pediu demissão após imagens de câmeras de segurança do Palácio do Planalto mostrarem sua presença no prédio durante os atos de vandalismo em 8 de janeiro.
Ainda em 2023, a ministra do Turismo, Daniela Carneiro, também se afastou após disputas internas no União Brasil, voltando à Câmara dos Deputados como vice-líder do governo. Outros ajustes no governo incluem a demissão de Ana Moser do Ministério do Esporte, em outubro, e a criação de novos cargos para acomodar aliados políticos, como a pasta do Ministério do Empreendedorismo, que foi dada a Márcio França.








